HPV: PRINCIPAIS ORIENTAÇÕES
BOAS PRÁTICAS RECOMENDADAS:
✔️ Antes e depois do teste, é importante contar com informações seguras. Por isso, disponibilizamos materiais como folders, vídeos e encontros em grupo para te ajudar a entender melhor cada etapa.
✔️ Você merece ter informações completas e corretas sobre o HPV – o que é, como ele se comporta no corpo, o impacto emocional e na vida sexual, além de dados atualizados sobre a infecção.
✔️ Evite buscar respostas em qualquer site da internet. Muitas vezes, isso só aumenta a ansiedade, o medo e o estigma. Conte conosco para tirar suas dúvidas com base em fontes confiáveis.
✔️ A vacinação contra o HPV é uma aliada importante! Ela protege não só você, mas também suas parcerias e pessoas próximas. Fale com a equipe de saúde sobre isso.
✔️ Receber a notícia de um teste positivo pode assustar, mas o HPV é muito comum. Vamos falar sobre isso com clareza, sem pânico. O mais importante é acompanhar, investigar e cuidar da sua saúde com responsabilidade.
✔️ Também estamos aqui para te apoiar emocionalmente. Questões conjugais, sexuais ou psicológicas podem surgir, e o acolhimento é fundamental. Se necessário, indicamos apoio especializado.
✔️ O acompanhamento regular faz toda a diferença. Ele ajuda a reduzir os sentimentos de medo e insegurança, trazendo mais tranquilidade e confiança para lidar com a situação.
INFORMAÇÕES GERAIS ÀS PACIENTES
✔️ HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano. Trata-se de um vírus capaz de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, sendo que cerca de 40 tipos podem infectar o trato genital, anal e oral.
✔️ A principal forma de transmissão (98% dos casos) é por intermédio da relação sexual (contato genital-genital, manual-genital, oral-genital), lembrando que o contágio pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal. Também pode haver transmissão durante o parto. Apesar de haver poucos relatos, não está comprovada a possibilidade de contaminação por meio de objetos, do uso de vaso sanitário e piscina ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas.
✔️ O HPV é um vírus muito comum em pessoas que têm ou já tiveram relações sexuais, mesmo com uso consistente de condom (camisinha). Acredita-se que cerca de 70-80% das pessoas (ou seja, 7-8 a cada 10) são infectadas pelo HPV em algum momento das suas vidas, principalmente nos primeiros 5 anos de atividade sexual, e a maioria nem sequer irá saber ou terá problemas com isso.
✔️ Para a maioria das pessoas (cerca de 90%), a infecção é assintomática ou inaparente, além de ser transitória, ou seja, o vírus é naturalmente eliminado pelo corpo (combatido pela imunidade) em até 1 a 2 anos, especialmente em pessoas jovens.
✔️ Ter HPV (mesmo que de alto risco oncogênico, ou seja, com potencial para causar câncer) não significa que haja lesão ou câncer. Significa que existe o risco de desenvolver essas alterações se o vírus persistir. Estas alterações ocorrem felizmente na minoria dos casos e geralmente demora cerca de 10-20 anos para que essa progressão possa ocorrer. Por isso é essencial que você mantenha o seguimento conforme as orientações médicas.
✔️ O desenvolvimento de lesões precursoras ocorre muito tempo antes do câncer, e somente se não forem devidamente identificadas e tratadas podem progredir para o câncer, principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca.
✔️ É extremamente difícil estabelecer quando ocorreu a aquisição do HPV ou quem transmitiu o HPV para você e essa informação nunca deve ser considerada razão para confusão, desentendimento ou frustração conjugal.
A DETECÇÃO DO HPV OU DE LESÕES CAUSADAS PELO HPV NÃO DEVE SER MOTIVO PARA:

✔️ Vergonha ou indignação;
✔️ Sentimento de “sujeira ou contaminação“;
✔️ Restrição de espontaneidade ou investidas sexuais;
✔️ Abstenção da prática sexual (vaginal, oral ou anal);
✔️ Sentimentos negativos contra a parceria atual (afastamento, rompimento, perda confiança, agressividade ou violência);
✔️ Confronto com parceria(s) prévia(s);
✔️ Preocupação ∕ medo de ser acusada de infidelidade ou do parceiro ter sido infiel;
✔️ Anseio em iniciar relacionamentos por receio de infectar ou ser reinfectada;
✔️ Dúvidas sobre o impacto na fertilidade.
ESCLARECENDO INCERTEZAS ADICIONAIS:
Descobrir que você tem HPV não significa que você ou seu parceiro foram ou estão sendo infiéis, mesmo que sejam parceiros únicos há muito tempo (monogamia). Muitas pessoas têm HPV há muito tempo sem nunca saber disso. Em alguns casos, o HPV pode permanecer no corpo por 10 a 30 anos. Além disso, o vírus pode reaparecer 40-50 anos após a infecção inicial devido ao declínio imunológico relacionado à idade.
Se você está com resultado atual positivo e já teve resultados negativos prévios não significa necessariamente que você foi infectada neste intervalo (ou que alguém tenha sido infiel caso esteja com a mesma parceira neste período). O teste DNA-HPV, apesar de ser um exame extremamente preciso e sensível, não é 100%, ou seja, há a possibilidade de que vírus já estivesse presente em pequenas quantidades sem ter sido detectado. Além disso, em alguns casos, o vírus pode permanecer inativo ou controlado pelo sistema imunológico por muito tempo (mais de 10 anos) abaixo dos níveis detectáveis pelo exame.
Parceiros masculinos não necessitam de avaliação genital urológica de rotina em caso de parceiras com teste DNA-HPV positivo, exceto se houver alterações clinicamente visíveis na região genital ou orofaringe (ex. verrugas). Alem disso, é importante deixar claro que a avaliação e tratamento do parceiro não interferem na evolução ou recorrência de infecção da paciente e o risco de lesões neoplásicas em homens é 20 menor do que para mulheres.
Caso o parceiro opte por realizar o teste DNA-HPV, o resultado negativo não deve ser interpretada como infidelidade ou frustação. Apenas em 12-50% dos casos, ambos são portadores do vírus. Isso porque a regressão e eliminação do HPV pode ocorrer em épocas diferentes e, neste caso, pode já ter acontecido no parceiro. Não permita que essa divergência cause transtornos no relacionamento (o portador não deve receber a culpa ou responsabilidade nem deve impedir atividade sexual pelo medo de reinfecção).

Como solicitar tratamento para o HPV?
Existem tratamentos para lesões causadas pelo HPV, mas não para a infecção do vírus em si (lembre-se que, na maioria dos casos, 90%, ele será eliminado pelo próprio corpo). O que podemos fazer é seguir algumas orientações para garantir que essa eliminação será a mais rápida possível, diminuindo o risco de evolução para lesões preocupantes:
✔️ Cessar tabagismo. O cigarro não só reduz a resposta imune e aumenta a replicação viral como também causa dano genético direto, aumento o risco de progressão para lesão pré-cancerígena e câncer;
✔️ Manter uma boa saúde genital e sexual, investigando e tratando adequadamente infecções vaginais (ex. vaginose bacteriana) e outras ISTs (ex. clamídia, gonorreia, herpes, tricomoníase, HIV, sífilis). Já esta clara na literatura a interação entre o HPV e essas outras infecções, bem como a redução na capacidade de combater o HPV quanto estão presentes ao mesmo tempo;
✔️ Usar consistentemente preservativo para evitar outras ISTs;
✔️ Controlar ansiedade, nervosismo e outros distúrbios psicológicos/psiquiátricos. O estresse psicológico modula negativamente a resposta imune e pode interferir na eliminação, regressão ou persistência do HPV;
✔️ A vacinação, apesar de ser profilática e não ser ainda indicada para tratamento da infecção ou lesões causadas pelo HPV, pode ser recomendada para proteger a paciente e parcerias contra outros tipos de HPV;
o Observação: Ainda não há estudos que comprovem o uso de suplementos, fitoterápicos ou outras medidas nutricionais para melhorar a imunidade e ajudar na eliminação do HPV. Nenhuma diretriz nacional ou internacional recomenda essa prática de rotina.
Autoria: Benedito de Sousa Almeida Filho
Especialista em Ginecologia, Obstetrícia & Mastologia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP);
Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FMB-UNESP);
Idealizador da plataforma Ginecoacademy
Referências Bibliográficas
- Bennett KF, Waller J, Ryan M, Bailey JV, Marlow LAV. The psychosexual impact of testing positive for high-risk cervical human papillomavirus (HPV): A systematic review. Psychooncology. 2019 Oct;28(10):1959-1970. doi: 10.1002/pon.5198. Epub 2019 Aug 21.
- McCaffery K, Waller J, Nazroo J, Wardle J. Social and psychological impact of HPV testing in cervical screening: a qualitative study. Sex Transm Infect. 2006 Apr;82(2):169-74.
- Fleurence RL, Dixon JM, Milanova TF, Beusterien KM. Review of the economic and quality-of-life burden of cervical human papillomavirus disease. Am J Obstet Gynecol. 2007 Mar;196(3):206-12.
- Graziottin A, Serafini A. HPV infection in women: psychosexual impact of genital warts and intraepithelial lesions. J Sex Med. 2009 Mar;6(3):633-45.
