HPV: PRINCIPAIS ORIENTAÇÕES 

BOAS PRÁTICAS RECOMENDADAS: 

INFORMAÇÕES GERAIS ÀS PACIENTES 

✔️ HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano. Trata-se de um vírus capaz de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, sendo que cerca de 40 tipos podem infectar o trato genital, anal e oral. 

✔️ A principal forma de transmissão (98% dos casos) é por intermédio da relação sexual (contato genital-genital, manual-genital, oral-genital), lembrando que o contágio pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal. Também pode haver transmissão durante o parto. Apesar de haver poucos relatos, não está comprovada a possibilidade de contaminação por meio de objetos, do uso de vaso sanitário e piscina ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas. 

✔️ O HPV é um vírus muito comum em pessoas que têm ou já tiveram relações sexuais, mesmo com uso consistente de condom (camisinha). Acredita-se que cerca de 70-80% das pessoas (ou seja, 7-8 a cada 10) são infectadas pelo HPV em algum momento das suas vidas, principalmente nos primeiros 5 anos de atividade sexual, e a maioria nem sequer irá saber ou terá problemas com isso. 

✔️ Para a maioria das pessoas (cerca de 90%), a infecção é assintomática ou inaparente, além de ser transitória, ou seja, o vírus é naturalmente eliminado pelo corpo (combatido pela imunidade) em até 1 a 2 anos, especialmente em pessoas jovens. 

✔️ Ter HPV (mesmo que de alto risco oncogênico, ou seja, com potencial para causar câncer) não significa que haja lesão ou câncer. Significa que existe o risco de desenvolver essas alterações se o vírus persistir. Estas alterações ocorrem felizmente na minoria dos casos e geralmente demora cerca de 10-20 anos para que essa progressão possa ocorrer. Por isso é essencial que você mantenha o seguimento conforme as orientações médicas. 

✔️ O desenvolvimento de lesões precursoras ocorre muito tempo antes do câncer, e somente se não forem devidamente identificadas e tratadas podem progredir para o câncer, principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca. 

✔️ É extremamente difícil estabelecer quando ocorreu a aquisição do HPV ou quem transmitiu o HPV para você e essa informação nunca deve ser considerada razão para confusão, desentendimento ou frustração conjugal. 

A DETECÇÃO DO HPV OU DE LESÕES CAUSADAS PELO HPV NÃO DEVE SER MOTIVO PARA: 

✔️ Vergonha ou indignação; 

✔️ Sentimento de “sujeira ou contaminação“; 

✔️ Restrição de espontaneidade ou investidas sexuais; 

✔️ Abstenção da prática sexual (vaginal, oral ou anal); 

✔️ Sentimentos negativos contra a parceria atual (afastamento, rompimento, perda confiança, agressividade ou violência); 

✔️ Confronto com parceria(s) prévia(s); 

✔️ Preocupação ∕ medo de ser acusada de infidelidade ou do parceiro ter sido infiel; 

✔️ Anseio em iniciar relacionamentos por receio de infectar ou ser reinfectada; 

✔️ Dúvidas sobre o impacto na fertilidade. 

ESCLARECENDO INCERTEZAS ADICIONAIS: 

Como solicitar tratamento para o HPV? 

Existem tratamentos para lesões causadas pelo HPV, mas não para a infecção do vírus em si (lembre-se que, na maioria dos casos, 90%, ele será eliminado pelo próprio corpo). O que podemos fazer é seguir algumas orientações para garantir que essa eliminação será a mais rápida possível, diminuindo o risco de evolução para lesões preocupantes:

✔️ Cessar tabagismo. O cigarro não só reduz a resposta imune e aumenta a replicação viral como também causa dano genético direto, aumento o risco de progressão para lesão pré-cancerígena e câncer; 

✔️ Manter uma boa saúde genital e sexual, investigando e tratando adequadamente infecções vaginais (ex. vaginose bacteriana) e outras ISTs (ex. clamídia, gonorreia, herpes, tricomoníase, HIV, sífilis). Já esta clara na literatura a interação entre o HPV e essas outras infecções, bem como a redução na capacidade de combater o HPV quanto estão presentes ao mesmo tempo; 

✔️ Usar consistentemente preservativo para evitar outras ISTs; 

✔️ Controlar ansiedade, nervosismo e outros distúrbios psicológicos/psiquiátricos. O estresse psicológico modula negativamente a resposta imune e pode interferir na eliminação, regressão ou persistência do HPV; 

✔️ A vacinação, apesar de ser profilática e não ser ainda indicada para tratamento da infecção ou lesões causadas pelo HPV, pode ser recomendada para proteger a paciente e parcerias contra outros tipos de HPV; 

o Observação: Ainda não há estudos que comprovem o uso de suplementos, fitoterápicos ou outras medidas nutricionais para melhorar a imunidade e ajudar na eliminação do HPV. Nenhuma diretriz nacional ou internacional recomenda essa prática de rotina. 

Autoria: Benedito de Sousa Almeida Filho 

Especialista em Ginecologia, Obstetrícia & Mastologia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP);
Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FMB-UNESP);
Idealizador da plataforma Ginecoacademy

Referências Bibliográficas

  1. Bennett KF, Waller J, Ryan M, Bailey JV, Marlow LAV. The psychosexual impact of testing positive for high-risk cervical human papillomavirus (HPV): A systematic review. Psychooncology. 2019 Oct;28(10):1959-1970. doi: 10.1002/pon.5198. Epub 2019 Aug 21. 
  2. McCaffery K, Waller J, Nazroo J, Wardle J. Social and psychological impact of HPV testing in cervical screening: a qualitative study. Sex Transm Infect. 2006 Apr;82(2):169-74. 
  3. Fleurence RL, Dixon JM, Milanova TF, Beusterien KM. Review of the economic and quality-of-life burden of cervical human papillomavirus disease. Am J Obstet Gynecol. 2007 Mar;196(3):206-12. 
  4. Graziottin A, Serafini A. HPV infection in women: psychosexual impact of genital warts and intraepithelial lesions. J Sex Med. 2009 Mar;6(3):633-45.